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terça-feira, 18 de março de 2014

Uma carta de adeus

Não é fácil ser quem eu sou, fazer o que eu faço e conviver com quem convivo. E nessas breves palavras, faço o resumo da minha vida.
Se eu soubesse que ia ser assim, eu nunca teria tentado.
Eu era jovem, sonhador, queria ir longe, desejava o topo.
Quando iniciei a banda, era apenas um jeito de eu e meus amigos passarmos o tempo. Mas com tantos elogios e incentivos, decidimos tentar a carreira profissional.
Começamos tocando em bares, depois nos festivais da escola. Até que um dia, um tio de um dos integrantes da nossa banda, agendou um show em um teatro da região. Ficamos tão empolgados que aceitamos na hora. Esse show fez nossa carreira decolar, pois um grande empresário assistiu e contratou a banda.
Gravamos nosso primeiro single que foi sucesso em todo país. Daí para frente foi só fama.
Mas nada é perfeito. Com o sucesso também vieram às intrigas, pressões, discussões, falta de privacidade e a minha liberdade de ir e vir foi embora.
Muitos paparazzi tirando fotos nos meus momentos de lazer, brigas internas, noticia falsas, crise no casamento. Minha vida estava um verdadeiro inferno.
Quando abri minha boate, um negócio próprio. Meu sócio me apresentou, algumas drogas, que logo comecei a usar. No inicio era bem fácil eu controlar o uso, mas depois virou algo incontrolável. Até que chegou um momento, que eu quis parar. Não consegui, era mais forte que eu. Sentia a necessidade de usar, mas não queria. E aquilo se tornou um demônio em minha vida.
O tempo passou, as pessoas perceberam a diferença em meu comportamento e começaram a fazer perguntas. Eu queria sumir.
Hoje estou com depressão, não sei mais o que fazer. Não sei se essa é a única maneira, mas é a que vou usar. Quero agradecer todos meus familiares e amigos. Por favor, entendam que isso que vou fazer, não é motivo de tristeza, pois eu estou me libertando. Quero pedir a minha esposa que cuide bem do nosso filho e não deixe faltar nada a ele. Espero que a dor vocês seja passageira.


Este documento foi encontrado pelo pai do baterista da banda. Ao lado do corpo do filho que se suicidou.


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